Etanol de trigo já é realidade no Brasil

A produção de etanol a partir do trigo está ganhando espaço como alternativa energética sustentável, especialmente em regiões onde a cana-de-açúcar não é viável. Entrou em operação, em agosto de 2025, a primeira usina nacional dedicada à produção de etanol a partir de subprodutos do trigo. A planta, instalada em Santiago, no Rio Grande do Sul, é operada pela CB Bioenergia, utiliza resíduos da indústria alimentícia como matéria-prima, em um modelo de economia circular que alia inovação, sustentabilidade e desenvolvimento regional. O projeto é considerado pioneiro no país e reforça o papel da bioenergia como alternativa estratégica para a matriz energética brasileira.

O processo produtivo envolve o uso de enzimas para reduzir a viscosidade do trigo e leveduras adaptadas, capazes de elevar o rendimento industrial em até 4,5%. A expectativa é alcançar uma produção anual de 34 milhões de litros de etanol hidratado, reduzindo a dependência do produto importado de outros estados.

O empreendimento deve gerar cerca de 120 empregos diretos e indiretos, fortalecendo a economia local. Além do combustível renovável, a usina aproveita integralmente os subprodutos: álcool neutro destinado à indústria de perfumaria, resíduos sólidos para a fabricação de pratos biodegradáveis e líquidos para a produção de fertilizantes. Especialistas apontam que o etanol de trigo pode desempenhar um papel complementar na matriz energética global, sobretudo em regiões de clima temperado ou com limitações para o cultivo de cana-de-açúcar.

Outros países

Na Europa, a escolha pelo trigo é estratégica: o cereal é abundante e atende à crescente demanda por combustíveis renováveis. Países como França, Alemanha e Reino Unido já utilizam amplamente o etanol de trigo como alternativa energética. Nos Estados Unidos e na China, embora o milho seja predominante, há experiências regionais com trigo. A Índia, por sua vez, amplia sua matriz de biocombustíveis com foco em cana-de-açúcar e milho, mas acompanha de perto os avanços nessa tecnologia.

Canal -Jornal da Bioenergia

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