O Plano Safra 2026/2027 chega com uma importante novidade para a modernização energética do agronegócio brasileiro. Pela primeira vez, produtores rurais poderão financiar sistemas de armazenamento de energia por baterias em linhas de crédito do programa federal, medida que amplia as possibilidades de adoção de fontes renováveis e fortalece a segurança no fornecimento de eletricidade no campo.
Além da inclusão das baterias, o novo Plano Safra disponibiliza um volume recorde de R$ 525,1 bilhões para o setor agropecuário, valor R$ 8,9 bilhões superior ao da edição anterior. O objetivo é estimular investimentos em inovação, sustentabilidade e aumento da produtividade das propriedades rurais.
A novidade beneficia programas como o Inovagro e o Prodecoop, que passam a contemplar projetos de armazenamento de energia elétrica, permitindo que produtores utilizem a energia gerada pelos sistemas fotovoltaicos de forma mais eficiente, inclusive em horários de maior consumo ou durante interrupções no fornecimento da rede.
Na avaliação da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR), a medida representa um avanço estratégico para acelerar a transição energética no agronegócio brasileiro, setor que vem ampliando rapidamente a adoção da geração própria de energia.
Atualmente, o campo responde por 6,3 gigawatts (GW) de potência instalada em sistemas solares fotovoltaicos, o equivalente a mais de 13% de toda a capacidade nacional de geração própria de energia solar. Levantamento da entidade mostra ainda que mais de 806 mil propriedades rurais brasileiras já utilizam a tecnologia para reduzir custos e aumentar a eficiência das atividades agrícolas.
Entre as aplicações mais comuns estão os sistemas de bombeamento e irrigação de água, refrigeração de leite, carnes e hortifrutigranjeiros, climatização de aviários, iluminação rural, cercas elétricas, telecomunicações, monitoramento das propriedades e outras operações que dependem de fornecimento contínuo de energia.
Segundo especialistas do setor, a combinação entre geração solar e armazenamento por baterias permite maior autonomia energética ao produtor rural, reduzindo a dependência da rede elétrica convencional e protegendo a atividade contra oscilações tarifárias e interrupções no abastecimento.
Apesar do avanço, o custo do crédito ainda é apontado como um dos principais desafios para ampliar os investimentos. Embora o Plano Safra tenha reduzido parte das taxas de juros, que agora variam entre 8% e 12,5% ao ano, o nível ainda é considerado elevado em razão da manutenção da taxa básica de juros da economia em patamares altos.
Para o setor de energia renovável, a expectativa é que a inclusão dos sistemas de armazenamento incentive novos projetos de geração distribuída, contribua para aumentar a competitividade do agronegócio e acelere a descarbonização das atividades produtivas brasileiras.
Com a medida, o Governo Federal amplia o alcance das políticas de incentivo à inovação no campo e reforça a tendência de integração entre produção agrícola, eficiência energética e sustentabilidade, consolidando a energia solar e o armazenamento como aliados cada vez mais importantes da agricultura moderna.
Canal-Jornal da Bioenergia













