A infraestrutura de armazenagem de grãos no Brasil registrou crescimento no segundo semestre de 2025, mas segue insuficiente para atender à crescente demanda do agronegócio nacional. Dados do IBGE apontam que a capacidade estática de armazenamento chegou a 233,8 milhões de toneladas, alta de 1,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. O número de unidades armazenadoras também aumentou, alcançando 9.668 estabelecimentos em operação no país.
Apesar da evolução, o volume disponível ainda está distante da produção projetada para a atual safra. Segundo estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita brasileira de grãos deve atingir 358,6 milhões de toneladas em 2025/26, estabelecendo um novo recorde. O cenário reforça um desafio histórico do setor: a falta de estrutura para armazenar adequadamente toda a produção.
Os silos permanecem como a principal modalidade de armazenagem no Brasil, concentrando mais da metade da capacidade total do país, com espaço para 124,7 milhões de toneladas. Ainda assim, especialistas alertam que os investimentos realizados não acompanham a velocidade de crescimento da agricultura brasileira, cuja produção tem avançado de forma consistente nos últimos anos.
Para Bernardo Nogueira, CEO da Kepler Weber, referência latino-americana em soluções para armazenagem, movimentação de grãos e termometria digital, a defasagem gera impactos econômicos relevantes. “A expansão da capacidade de armazenagem ainda ocorre em ritmo inferior ao crescimento da produção. Isso aumenta os custos logísticos, reduz a eficiência da cadeia e, em muitos casos, obriga os produtores a recorrerem a soluções improvisadas, elevando o risco de perdas e comprometendo a qualidade dos grãos”, afirma.
De acordo com estimativas da Consultoria Cogo Inteligência em Agronegócio, o déficit atual pode deixar cerca de 135 milhões de toneladas sem estrutura adequada para armazenamento. Para eliminar essa lacuna e atender plenamente à produção prevista, seriam necessários investimentos da ordem de R$ 148 bilhões em novas instalações e ampliação da capacidade existente.












