Chefe da COP31 defende fim da dependência dos combustíveis fósseis

Agência Brasil

As recentes tensões no Oriente Médio reacenderam o debate sobre a segurança energética mundial e reforçaram a necessidade de reduzir a dependência dos combustíveis fósseis. A avaliação é de Chris Bowen, futuro presidente das negociações da COP31 e ministro do Clima e Energia da Austrália, que defendeu uma transição mais rápida para fontes renováveis de energia.

Em entrevista à Agência France-Presse (AFP), durante as negociações climáticas intermediárias da Organização das Nações Unidas (ONU), realizadas em Bonn, na Alemanha, Bowen afirmou que os conflitos envolvendo Irã e Israel evidenciam a vulnerabilidade dos países que dependem de petróleo, gás natural e derivados.

Segundo ele, a busca por maior segurança energética passa necessariamente pela diversificação das matrizes energéticas e pelo fortalecimento das fontes renováveis. Para Bowen, a mesma solução capaz de enfrentar os desafios imediatos de abastecimento também contribui para combater as mudanças climáticas no longo prazo.

A declaração ocorre em um momento em que o mercado internacional acompanha com preocupação os impactos geopolíticos sobre a oferta de petróleo. Paralelamente, cresce a pressão de grupos ambientais e de países mais vulneráveis às mudanças climáticas para que as próximas conferências do clima avancem em compromissos mais concretos para reduzir o uso de combustíveis fósseis.

Nos encontros preparatórios para a COP31, que será realizada na Austrália, Bowen terá a missão de construir consensos entre quase 200 países com interesses econômicos e energéticos distintos. O desafio é considerado um dos maiores das negociações climáticas atuais, especialmente diante da necessidade de equilibrar crescimento econômico, segurança energética e redução das emissões de gases de efeito estufa.

Representantes da Aliança dos Pequenos Estados Insulares, grupo formado por países altamente vulneráveis aos impactos climáticos, defendem que o tema dos combustíveis fósseis seja tratado de forma mais direta nas negociações. Para essas nações, a redução do consumo de petróleo, carvão e gás natural é fundamental para limitar o avanço do aquecimento global.

Bowen reconheceu que praticamente todos os países ainda mantêm algum grau de dependência dos combustíveis fósseis, incluindo a própria Austrália, importante exportadora de carvão e gás natural. No entanto, destacou que a transição energética exige um esforço conjunto entre produtores e consumidores.

As negociações em Bonn servem como preparação para a COP31 e buscam reduzir divergências técnicas antes da conferência principal. A expectativa é que os debates dos próximos meses contribuam para fortalecer os compromissos internacionais voltados à redução das emissões e à ampliação dos investimentos em energia limpa.

Para o futuro presidente da conferência climática, os encontros da ONU continuam desempenhando papel relevante ao sinalizar para governos, empresas e investidores que a agenda climática permanece entre as prioridades globais.

Canal-Jornal da Bioenergia

Compartilhe:

senai cursos
Artigos Relacionados