Geração distribuída encerra 2025 com 43,5 GW e deve crescer 15% no próximo ano

homem instalando paineis solares em um telhado freepik

A geração distribuída (GD) segue consolidando seu espaço no setor elétrico brasileiro. Ao final de 2025, o país alcançou 43,5 GW de potência instalada, com 3,87 milhões de sistemas conectados e presença em 5.565 municípios, segundo dados da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A expectativa para 2026 é de expansão contínua: a projeção da Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) aponta crescimento de cerca de 15%, o que pode levar o segmento à marca de 50 GW já no próximo ano.

De acordo com o presidente da ABGD, Carlos Evangelista, a geração distribuída beneficia atualmente quase 7 milhões de unidades consumidoras, impactando positivamente cerca de 21 milhões de brasileiros por meio do sistema de compensação de energia. “O setor inicia o ano com números robustos, que refletem a consolidação da GD como um dos pilares da transição energética no país”, avalia.

A energia solar fotovoltaica responde por aproximadamente 99% da potência instalada na geração distribuída nacional, confirmando seu protagonismo como principal vetor de expansão da energia limpa no Brasil. Ainda assim, o modelo tem incorporado outras fontes de forma complementar, como o biogás proveniente de resíduos agroindustriais e urbanos, além do aproveitamento de pequenas centrais hidrelétricas e sistemas de microgeração hídrica, contribuindo para a diversificação da matriz e o fortalecimento de soluções energéticas regionais.

No recorte por perfil de consumo, o segmento residencial lidera o número de conexões, com mais de 3 milhões de sistemas instalados, seguido pelos setores comercial e rural, evidenciando a popularização da GD. Estados como São Paulo, Minas Gerais, Paraná e Rio Grande do Sul concentram parcela relevante da potência instalada, mas a expansão ocorre de maneira capilarizada, alcançando pequenas e médias cidades em todas as regiões do país. Essa ampla distribuição territorial reforça o papel da GD na democratização do acesso à energia limpa.

Somente em 2024 e 2025, mais de 1,5 milhão de novos sistemas foram conectados à rede elétrica. Para 2026, além do aumento da capacidade instalada, o setor deve avançar em inovação tecnológica, com maior integração de sistemas de armazenamento, como baterias instaladas junto aos consumidores, e expansão de modelos coletivos, a exemplo dos condomínios solares.

Segundo Evangelista, os benefícios da geração distribuída vão além do aspecto ambiental. “A GD contribui para a redução de perdas na rede, posterga investimentos em transmissão e distribuição, gera empregos locais e atrai capital privado, sem custos para o Estado. Esses efeitos positivos para a modicidade tarifária foram amplamente demonstrados em um estudo aprofundado coordenado por especialistas da USP em 2025”, destaca.

Para a ABGD, os números confirmam que a geração distribuída deixou de ser uma tendência emergente e passou a integrar de forma estrutural o setor elétrico brasileiro. “É um modelo que alia energia renovável, desenvolvimento econômico e ganhos diretos para a população. As perspectivas para 2026 são positivas, desde que haja previsibilidade regulatória, segurança jurídica e investimentos contínuos na infraestrutura da rede”, conclui o presidente da entidade. (Canal- Jornal da Bioenergia)

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