A bioenergia vem ocupando cada vez mais espaço relevante na política de desenvolvimento econômico de Goiás nos últimos anos. O Estado, que já figura entre os maiores produtores brasileiros de cana-de-açúcar, etanol e milho, adotou medidas voltadas à atração de investimentos, regulamentou incentivos fiscais para combustíveis renováveis e ampliou iniciativas ligadas à transição energética. As ações ocorrem em um momento de expansão do setor de biocombustíveis no Brasil, impulsionado pelo crescimento da produção de etanol de milho, pelo avanço do mercado de biogás e biometano e pela busca por alternativas para redução das emissões de gases de efeito estufa.
Entre as principais medidas está a regulamentação da Lei Estadual nº 23.168/2024, por meio do Decreto nº 10.712/2025, que instituiu crédito outorgado de ICMS para operações com biogás e biometano. O benefício alcança até 85% nas operações internas e até 90% nas interestaduais, reduzindo a carga tributária para empreendimentos do segmento. O objetivo é estimular projetos que utilizam resíduos da agropecuária, da indústria sucroenergética, de frigoríficos e de aterros sanitários para produção de energia e combustível renovável.
Outra frente é o incentivo à utilização do biometano no transporte público. A política estadual de incentivo ao biometano também começou a se materializar. Em 2026, Goiânia passou a operar os primeiros ônibus abastecidos com biometano produzido em Goiás, resultado da parceria entre o Governo do Estado, empresas do setor energético e operadores do transporte coletivo. A iniciativa integra a estratégia de ampliar o uso de combustíveis renováveis na mobilidade urbana, reduzindo a dependência do diesel e criando demanda para a expansão da produção estadual de biometano. A experiência serve como base para a ampliação gradual da frota movida ao combustível renovável na Região Metropolitana de Goiânia.
Novas usinas
A política de atração de investimentos também ganhou força com a implantação de novos empreendimentos industriais. Em julho de 2025, foi anunciada a instalação da primeira unidade da Inpasa em Goiás, no município de Rio Verde. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 2,5 bilhões.
A biorrefinaria terá capacidade para processar cerca de um milhão de toneladas de milho por ano para produção de etanol, DDGS destinado à alimentação animal, óleo de milho e geração de energia. A previsão é de criação de aproximadamente 3 mil empregos durante a construção e centenas de vagas permanentes na fase operacional. O projeto amplia a industrialização do milho produzido no Estado e fortalece a cadeia do etanol de grãos, segmento que registra crescimento contínuo no Centro-Oeste.
Outro empreendimento em implantação é a usina da Planalto Bioenergia, em Cristalina. O projeto prevê investimento de R$ 1,8 bilhão para produção de etanol de milho e coprodutos destinados à alimentação animal. A unidade recebeu as licenças ambientais necessárias para início das obras, conduzidas pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad).
Ambiente para investimentos
Além dos incentivos fiscais, o Governo de Goiás tem direcionado esforços para ampliar a segurança jurídica e reduzir o tempo de análise dos processos de licenciamento ambiental para empreendimentos industriais ligados à bioenergia. A estratégia busca criar condições para instalação de novas plantas de etanol de milho, unidades de biogás, projetos de cogeração de energia e produção de biometano.
O Estado também participa da implementação do Plano ABC+ Goiás, voltado à agricultura de baixa emissão de carbono. Embora tenha abrangência maior que a bioenergia, o programa incentiva práticas que aumentam a disponibilidade de biomassa e resíduos agrícolas utilizados na produção de combustíveis renováveis.
Outra iniciativa é a Estratégia Goiás Carbono Neutro 2050, que estabelece diretrizes para redução das emissões de gases de efeito estufa e inclui a ampliação do uso de biocombustíveis entre os instrumentos de transição energética.
Cadeia em expansão
O avanço da bioenergia em Goiás acompanha o crescimento da produção agrícola do Estado. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Goiás está entre os maiores produtores nacionais de cana-de-açúcar e de milho, matérias-primas que sustentam a expansão do etanol de cana e do etanol de grãos. Além dos biocombustíveis, cresce o interesse por projetos de aproveitamento energético de resíduos agroindustriais para produção de biogás e biometano, mercados considerados estratégicos para diversificação da matriz energética e redução da emissão de carbono.
Nos últimos dois anos, a combinação de incentivos tributários, atração de investimentos privados, implantação de novas indústrias e políticas voltadas à economia de baixo carbono consolidou a bioenergia como um dos eixos da estratégia de desenvolvimento industrial de Goiás.
Principais iniciativas do Governo de Goiás (2024–2026)
Regulamentação do incentivo fiscal para produção de biogás e biometano, com crédito outorgado de ICMS de até 90%;
Implantação da política de incentivo ao uso de biometano no transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia;
Apoio à instalação da biorrefinaria da Inpasa em Rio Verde, com investimento estimado em R$ 2,5 bilhões;
Licenciamento ambiental para implantação da usina da Planalto Bioenergia, em Cristalina;
Fortalecimento da Estratégia Goiás Carbono Neutro 2050;
Implementação do Plano ABC+ Goiás para agricultura de baixa emissão de carbono;
Ações voltadas à atração de investimentos em etanol de milho, biogás, biometano e cogeração de energia.
Canal-Jornal da Bioenergia













