Indústria do cimento lança plataforma inédita para mapear biomassa e acelerar descarbonização

plastic waste recycling factory
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Ferramenta georreferenciada identifica resíduos agrícolas em 2,5 mil municípios e deve ampliar uso de combustíveis alternativos no setor

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Workshop de lançamento da Ferramenta de Mapeamento de Resíduos de Biomassa (FMRB), no Hotel Mercure, em São Paulo. Foto: ABCP

A indústria brasileira do cimento lançou uma nova plataforma tecnológica voltada à redução das emissões de carbono e à ampliação do uso de fontes renováveis no processo produtivo. Desenvolvida pela Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) em parceria com o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC), a Ferramenta de Mapeamento de Resíduos de Biomassa (FMRB) reúne informações georreferenciadas sobre resíduos agrícolas com potencial energético em todo o país.

A plataforma identificou disponibilidade de biomassa em cerca de 2,5 mil municípios brasileiros. O sistema foi estruturado com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e organiza as informações em 12 clusters regionais, permitindo que as indústrias planejem cadeias de suprimento e avaliem a viabilidade técnica e econômica do uso desses resíduos como combustível.

Na prática, a ferramenta funciona como um ambiente de simulação logística e energética, reunindo variáveis como oferta de resíduos, potencial energético, custos e distância até as unidades industriais. O objetivo é ampliar a substituição de combustíveis fósseis por biomassa e outros resíduos no processo de produção do cimento.

Meta de neutralidade climática

A iniciativa integra a estratégia de descarbonização do setor cimenteiro brasileiro, que prevê alcançar neutralidade climática até 2050. Globalmente, a produção de cimento responde por cerca de 8% das emissões de dióxido de carbono, enquanto no Brasil esse percentual é estimado entre 2% e 2,5% das emissões nacionais.

Segundo dados do relatório Panorama do Coprocessamento – Brasil 2025 (ano-base 2024), o país já registra 30% de substituição térmica por meio do uso de biomassa, pneus e outros resíduos. Essa prática evitou a emissão de aproximadamente 2,8 milhões de toneladas de CO₂ no último ano.

A expectativa da indústria é elevar esse índice para 70% nas próximas décadas, ampliando o uso de combustíveis alternativos e reduzindo a dependência de fontes fósseis.

Aproveitamento de resíduos agrícolas

Além de contribuir para a redução das emissões, a nova ferramenta pode estimular o aproveitamento de resíduos agrícolas que atualmente são descartados ou subutilizados.

Entre 156 culturas analisadas, a plataforma priorizou 16 tipologias de resíduos com maior viabilidade energética para o coprocessamento na indústria do cimento.

De acordo com o diretor de Coprocessamento da ABCP, Daniel Mattos, a ferramenta permite identificar oportunidades concretas de ampliação dessa prática.

“Os resultados consolidados na plataforma integram dados técnicos e territoriais, permitindo identificar oportunidades para expandir o coprocessamento e estruturar cadeias de suprimento de longo prazo, com menor intensidade de carbono”, afirma.

Cooperação internacional

O projeto integra o Programa Euroclima no Brasil, iniciativa executada pela Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ) em parceria com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Confederação Nacional da Indústria (CNI).

O lançamento ocorreu em São Paulo e reuniu representantes do setor produtivo, do governo e de instituições internacionais ligadas à agenda de transição energética.

Para o presidente da ABCP e do SNIC, Paulo Camillo Penna, a iniciativa representa um avanço na integração entre sustentabilidade e competitividade industrial.

“A cooperação no âmbito do Programa Euroclima fortalece o desenvolvimento de soluções concretas de descarbonização, aliando inovação, competitividade e sustentabilidade”, afirmou. (Canal )

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