Manejo e escolha de variedades podem impulsionar produtividade da cana-de-açúcar, aponta IAC

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No Centro-Sul do Brasil, o início deste ano foi marcado por uma distribuição de chuvas mais equilibrada nos meses de janeiro e fevereiro, favorecendo o desenvolvimento vegetativo dos canaviais. O cenário representa uma recuperação após o último trimestre de 2025, que registrou baixos índices de precipitação. A avaliação é de Marcos Landell, diretor do Instituto Agronômico (IAC) e coordenador do Programa Cana IAC.

Diante desse contexto climático, o pesquisador recomenda a adoção de estratégias de manejo capazes de sustentar ganhos estruturais na produção. Entre os pontos considerados fundamentais está o planejamento adequado da janela de plantio. Na região Centro-Sul, a orientação é priorizar o plantio entre março e maio, período que tende a favorecer o desempenho inicial da lavoura.

Segundo Landell, seguir esse calendário pode permitir que o primeiro corte alcance produtividade entre 130 e 145 toneladas por hectare. Por outro lado, o plantio fora desse período pode resultar em perdas significativas, que podem chegar a até 40 toneladas por hectare.

Outra estratégia indicada é reduzir a queda de produtividade entre os diferentes ciclos de corte para cerca de 10%. Para isso, o pesquisador destaca a chamada Tecnologia do Terceiro Eixo, desenvolvida pelo Programa Cana IAC, que busca diminuir a exposição da cultura ao estresse hídrico e, consequentemente, melhorar o desempenho produtivo da cana-de-açúcar.

Dentro dessa abordagem, também é recomendado evitar a colheita antecipada de canaviais no primeiro e segundo cortes durante o início da safra. Isso porque o sistema radicular da planta se aprofunda ao longo dos ciclos, aumentando sua capacidade de explorar água no solo. Assim, realizar a colheita desses talhões entre abril e junho tende a proporcionar melhores condições para o desenvolvimento das plantas, já que o período apresenta menor risco de déficit hídrico.

Atualmente, a perda de produtividade do primeiro para o segundo corte costuma variar entre 16% e 18%. Com a adoção dessas práticas, a expectativa é reduzir esse índice. Em um cenário em que o primeiro corte alcance 140 toneladas por hectare, por exemplo, o segundo poderia registrar cerca de 126 toneladas, enquanto o terceiro permaneceria acima de 110 toneladas, modificando o padrão histórico da cultura.

A manutenção de produtividade mais estável ao longo dos ciclos também pode diminuir a necessidade de renovação anual dos canaviais. Hoje, a taxa de reforma costuma variar entre 15% e 18% da área total. Com maior estabilidade produtiva, esse índice poderia cair para aproximadamente 10%, reduzindo a pressão sobre as operações de plantio e permitindo melhor organização das atividades nas unidades produtoras.

Escolha correta das variedades é decisiva

Outro fator considerado essencial para elevar a produtividade é a seleção adequada das variedades de cana-de-açúcar, levando em conta as características do solo e as condições climáticas de cada região. De acordo com Landell, essa decisão influencia diretamente o número de colmos por hectare e o rendimento da lavoura.

Historicamente, a população média varia entre 60 mil e 70 mil colmos por hectare. A meta, segundo o pesquisador, é elevar esse número para uma faixa entre 90 mil e 130 mil colmos por hectare. Com esse avanço, a produtividade média ao longo de cinco cortes poderia superar as 100 toneladas por hectare.

Para 2026, a expectativa é que a produtividade da canavicultura se mantenha semelhante à registrada no ano anterior ou apresente leve crescimento.

A qualidade das mudas utilizadas no plantio, aliada ao potencial genético das variedades e a práticas de manejo adequadas, também é apontada como fator determinante para alcançar altos níveis de produção.

A implementação dessas recomendações tende a refletir diretamente na eficiência agroindustrial, especialmente no aumento da produção de cana por hectare. Atualmente, no estado de São Paulo, cada hectare cultivado gera, em média, cerca de 6.800 litros de etanol. A meta do setor é ampliar esse rendimento para aproximadamente 9 mil litros por hectare no médio prazo.

Para atingir esse patamar, Landell destaca que é necessário integrar diferentes estratégias de manejo. Entre elas estão o planejamento correto da época de plantio, o manejo nutricional adequado e a proteção fitossanitária da lavoura, além da adoção de variedades com elevado potencial de formação de colmos. O pesquisador também aponta a irrigação como uma ferramenta importante para ampliar a estabilidade produtiva, recomendando sua utilização em cerca de 15% das áreas cultivadas.

As orientações desenvolvidas pelo Programa Cana IAC vêm sendo compartilhadas com produtores e técnicos do setor sucroenergético por meio da participação da equipe do instituto em eventos técnicos realizados em diferentes regiões do país. Ao todo, as ações de difusão de tecnologia têm alcançado profissionais de 11 estados brasileiros.

Segundo Landell, o propósito central do programa é oferecer soluções tecnológicas completas para a cadeia produtiva da cana-de-açúcar. “O objetivo do Programa Cana IAC é desenvolver pacotes tecnológicos que vão além do lançamento de novas variedades. Eles reúnem estratégias integradas capazes de elevar a produtividade da cultura para níveis superiores a 100 toneladas por hectare e manter esse desempenho ao longo dos ciclos produtivos”, afirma o pesquisador do IAC, vinculado à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA) e à Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo. (Canal com informações do IAC) 

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