Mato Grosso endurece regras para uso de biomassa de madeira nativa

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A rápida expansão da indústria de etanol de milho em Mato Grosso entrou em uma nova fase. O Ministério Público do Estado (MPMT) e o Governo de Mato Grosso firmaram um Termo de Compromisso Ambiental (TCA) que estabelece a eliminação gradual da biomassa oriunda do corte de vegetação nativa utilizada por grandes consumidores industriais de energia. A medida atinge diretamente o setor de etanol de milho, que depende da geração de energia térmica para a secagem dos grãos e para diversas etapas do processo industrial. Hoje, parte dessa demanda ainda é atendida por biomassa de origem nativa autorizada pela legislação ambiental. Com o novo acordo, a tendência é que o setor acelere investimentos em alternativas mais sustentáveis.

Novos projetos terão exigências mais rígidas
Pelas novas regras, empreendimentos que forem implantados a partir da assinatura do acordo deverão comprovar que toda a biomassa utilizada tem origem em florestas plantadas, manejo florestal sustentável devidamente autorizado ou outras fontes previstas na legislação ambiental. Na prática, o TCA cria uma nova referência para o licenciamento ambiental das indústrias, estimulando uma cadeia de fornecimento baseada em matérias-primas renováveis e reduzindo a pressão sobre a vegetação nativa. Para as plantas já em operação, a substituição ocorrerá de forma gradual, conforme cronograma definido no compromisso firmado entre os órgãos públicos e o setor produtivo.

Expansão do etanol de milho aumenta demanda por energia
Mato Grosso consolidou-se como o maior produtor brasileiro de etanol de milho. Nos últimos anos, grandes investimentos ampliaram significativamente a capacidade instalada, impulsionados pela ampla oferta de milho de segunda safra e pela busca por combustíveis renováveis. Essa expansão também elevou a necessidade de energia térmica nas usinas. A biomassa é utilizada principalmente nas caldeiras responsáveis pela geração de vapor indispensável ao processo industrial. Com o novo compromisso ambiental, cresce a expectativa de expansão das florestas energéticas, especialmente de eucalipto cultivado para fins industriais, além do aproveitamento de resíduos agrícolas e outras fontes de biomassa renovável.

Sustentabilidade passa a integrar a competitividade
Especialistas avaliam que a medida acompanha uma tendência internacional de fortalecimento dos critérios ambientais na produção de biocombustíveis. Mercados consumidores e investidores têm exigido cada vez mais rastreabilidade e comprovação da sustentabilidade em toda a cadeia produtiva.

Nesse cenário, a substituição da biomassa de origem nativa pode fortalecer a imagem ambiental do etanol de milho brasileiro, ampliando sua competitividade em mercados que valorizam produtos de menor impacto climático. Ao mesmo tempo, o setor deverá enfrentar novos desafios logísticos e econômicos, como a ampliação da oferta de florestas plantadas, contratos de fornecimento de longo prazo e investimentos em alternativas energéticas que garantam segurança operacional às usinas.

Impactos para a cadeia produtiva
A expectativa é que o acordo estimule novos investimentos em silvicultura comercial, criando oportunidades para produtores rurais interessados no cultivo de florestas energéticas destinadas ao abastecimento industrial. Além da produção de madeira plantada, especialistas apontam potencial para ampliar o uso de resíduos agrícolas, cavacos, pellets e outras formas de biomassa renovável, diversificando a matriz energética do setor. O compromisso firmado em Mato Grosso pode servir de referência para outros estados produtores de biocombustíveis, especialmente aqueles que também registram crescimento acelerado da indústria de etanol de milho e buscam conciliar expansão econômica com metas de conservação ambiental.

Mírian Tomé-Canal-Jornal da Bioenergia

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