Pela primeira vez um projeto de biogás venceu um leilão de energia

Foto ilustrativa-

Pela primeira vez na história um projeto de biogás em larga escala venceu um leilão de geração de energia, Leilão A-5, promovido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O projeto vencedor do leilão foi a Raízen, que negociou energia da Biogás Bonfim, de 20,8 MW, a R$ 251/MWh; é a segunda térmica da fonte do mercado regulado desde 2006.

O Certame contratou ainda outros 29 projetos de geração de energia elétrica, com capacidade instalada total de 528,9 megawatts (MW) de potência. Desse total, 523 MW são provenientes de fontes renováveis, ou seja, 99% da potência total negociada no leilão, segundo dados do Ministério de Minas e Energia (MME).

O preço médio da energia negociada no leilão foi de R$ 198,59/MWh, movimentando R$ 9,772 bilhões e alcançando um deságio médio de 8,65% com investimentos previstos da ordem de R$ 1,887 bilhão.

Segundo o presidente da Associação Nacional de Biogás e Biometano (Abiogás), Cícero Bley Jr. esta é a primeira inserção do insumo em um leilão de energia do governo federal e um importante passo para ajudar na disponibilidade de capacidade de geração de energia no país.

“Esse é um dos passos para consolidação de uma política nacional consistente que contemple o biogás e o biometano como fonte de energia renovável dentro da matriz energética”, comemora.

Competitividade

Atualmente o Brasil tem potencial de produzir 52 Bilhões m3/ano. Isso equivale a 28,5 bilhões m³/ano de combustível (biometano) ou 115 mil GWh/ano. Segundo a Abiogás, isso equivale a mais do que toda a energia gerada em um ano inteiro na hidrelétrica de Itaipu (Brasil/ Paraguai, 14.000 MW) e que em 2015 foi a maior usina em termos de energia produzida no planeta.

Nas contas da Associação, a maior parte, 39 bilhões de metros cúbicos, viria de resíduos da cana-de-açúcar usada na produção do álcool. Outros 9 bilhões de metros cúbicos seriam produzidos com rejeitos agrícolas e dejetos de animais como porcos, bovinos e aves.

Segundo Bley, o Brasil conta, segundo os números mais recentes disponíveis, com cerca de 79 MW em capacidade instalada.

“Em termos de energia elétrica, o Brasil só aproveita 0,06% da energia potencial dessa fonte”, resumiu o executivo. “Hoje a maior parcela da capacidade existente está no Sul e Sudeste do país em pequenas propriedades, onde se localizam as usinas de maior porte”, acrescentou.  Abiogás

 

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