Os estudos que vão embasar a possível ampliação da mistura obrigatória de biodiesel ao diesel devem ser concluídos até fevereiro de 2027. A previsão é do Instituto Mauá de Tecnologia, responsável pelos ensaios técnicos que avaliam os impactos da elevação da mistura dos atuais 15% (B15) para 20% (B20). Os testes começaram em maio deste ano e fazem parte das etapas previstas para implementação do Programa Combustível do Futuro, que estabelece diretrizes para ampliar a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira. A legislação permite que a mistura de biodiesel ao diesel chegue gradualmente a até 25%, desde que sejam comprovadas a segurança e a viabilidade técnica da medida.
Segundo o chefe da Divisão de Motores e Veículos do Centro de Pesquisas do Instituto Mauá, Renato Romio, os ensaios terão início com o B15, utilizado como referência, antes da avaliação do B20. “Vamos começar a fazer os testes, inicialmente com B15, para termos uma base de comparação e, na sequência, com B20. Os testes devem ser concluídos entre o fim deste ano e o início de 2027. Depois haverá um período de análises finais e acreditamos que até fevereiro teremos os resultados consolidados”, explicou.
Os estudos avaliam o comportamento do combustível em motores de diferentes aplicações, observando fatores como desempenho, consumo, emissões, durabilidade dos componentes e confiabilidade operacional. Os resultados servirão de base para futuras decisões sobre a ampliação da mistura obrigatória.
Setor aguarda avanço
A indústria de biodiesel acompanha os testes com expectativa. O aumento da mistura representa uma oportunidade para ampliar o consumo do biocombustível produzido principalmente a partir de óleo de soja, gordura animal e outras matérias-primas renováveis. Além de reduzir a dependência do diesel de origem fóssil, a ampliação da participação do biodiesel contribui para a diminuição das emissões de gases de efeito estufa e fortalece a cadeia do agronegócio, gerando demanda por matérias-primas produzidas no país.
Especialistas também destacam que o avanço da mistura está alinhado aos compromissos brasileiros de descarbonização do transporte e diversificação da matriz energética, desde que os estudos confirmem a compatibilidade técnica com a frota nacional. Caso os resultados sejam positivos, o B20 poderá representar mais um passo na estratégia brasileira de expansão dos combustíveis renováveis, consolidando o país entre os líderes mundiais na utilização de biocombustíveis em larga escala.
Canal-Jornal da Bioenergia












