O agronegócio brasileiro voltou a mostrar força no cenário internacional e consolidou, mais uma vez, sua posição como um dos pilares da economia nacional. Em 2025, as exportações do setor alcançaram o recorde histórico de US$ 169,2 bilhões, resultado que representa crescimento de 3% em relação ao ano anterior e responde por quase metade de tudo o que o Brasil vendeu ao exterior. Somente em abril de 2026, as exportações do agro ultrapassaram US$ 16 bilhões, estabelecendo novo recorde para o período e confirmando o ritmo acelerado das vendas internacionais de produtos brasileiros.
O desempenho reforça o protagonismo do país como um dos principais fornecedores globais de alimentos, fibras, energia renovável e commodities agrícolas em um cenário internacional marcado por instabilidade econômica, disputas comerciais e preocupação crescente com segurança alimentar. A combinação entre produção em larga escala, avanço tecnológico no campo, expansão da produtividade e abertura de novos mercados vem sustentando a competitividade brasileira diante dos principais concorrentes globais.
China segue líder entre os compradores do agro brasileiro
A China permaneceu como principal destino dos produtos agropecuários brasileiros, movimentando US$ 55,3 bilhões em compras e representando 32,7% das exportações do setor. O crescimento foi de 11% na comparação com 2024. Na sequência aparecem União Europeia, com US$ 25,2 bilhões, e Estados Unidos, com US$ 11,4 bilhões. Além dos mercados tradicionais, o agro brasileiro também ampliou presença em países emergentes e estratégicos. Paquistão, Argentina, Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México aumentaram significativamente as compras de produtos brasileiros ao longo do último ano. O avanço demonstra uma estratégia cada vez mais forte de diversificação de destinos comerciais, reduzindo dependência de mercados específicos e ampliando oportunidades para diferentes cadeias produtivas.
Soja, carnes e café lideram exportações
A soja em grãos manteve a liderança entre os produtos mais exportados pelo Brasil, gerando US$ 43,5 bilhões em receitas e alcançando volume recorde de 108,2 milhões de toneladas embarcadas. Outro destaque foi a carne bovina, que registrou crescimento expressivo de quase 40% em valor exportado, alcançando US$ 17,9 bilhões. O desempenho foi impulsionado pela abertura de novos mercados e pelo aumento da demanda internacional por proteína animal brasileira.
O setor de carnes também teve avanço importante nas exportações de carne suína, consolidando o Brasil, pela primeira vez, como o terceiro maior exportador mundial do produto. Já o café brasileiro viveu um dos melhores momentos dos últimos anos. As exportações somaram US$ 16 bilhões, impulsionadas pela valorização histórica dos preços internacionais e pela forte demanda global. Frutas, pescados, amendoim, castanha de caju, melões e pimenta também apresentaram crescimento relevante, mostrando que o agro brasileiro vai muito além das commodities tradicionais.
Safra recorde fortalece competitividade do país
Grande parte do avanço das exportações está diretamente ligada à safra recorde de grãos 2024/2025, que atingiu 352,2 milhões de toneladas — aumento de 17% em relação ao ciclo anterior. Na pecuária, a produção de carnes bovina, suína e de frango também alcançou níveis históricos, garantindo excedentes exportáveis sem comprometer o abastecimento interno.
O crescimento da produção vem sendo sustentado por investimentos em tecnologia agrícola, mecanização, inovação genética, rastreabilidade, agricultura de precisão e modernização logística. Segundo especialistas do setor, o Brasil conseguiu construir uma das agropecuárias mais eficientes do mundo, combinando produtividade elevada com expansão sustentável das áreas cultivadas.
Sustentabilidade e rastreabilidade ganham peso no comércio internacional
Ao mesmo tempo em que amplia mercados, o agronegócio brasileiro também enfrenta novas exigências globais relacionadas à sustentabilidade, governança ambiental e rastreabilidade da produção. Importadores internacionais têm adotado critérios mais rigorosos para aquisição de produtos agropecuários, especialmente na Europa e em países que priorizam políticas ambientais mais severas. Isso vem exigindo adaptações constantes de produtores, cooperativas e agroindústrias brasileiras. O avanço de práticas sustentáveis, certificações ambientais e sistemas de controle de origem passou a ser considerado estratégico.
Infraestrutura e segurança jurídica ainda preocupam
Apesar dos números históricos, especialistas alertam que o Brasil ainda enfrenta gargalos importantes para sustentar o crescimento das exportações nos próximos anos. Infraestrutura logística limitada, custos de transporte, necessidade de ampliação ferroviária, modernização portuária e estabilidade regulatória continuam entre os principais desafios do setor. A segurança jurídica também aparece como tema central para garantir novos investimentos no campo e expansão da produção.
Para representantes do agronegócio, o país possui potencial para ampliar ainda mais sua participação no comércio global de alimentos, desde que consiga avançar em políticas estruturais voltadas à competitividade.
Bioenergia e coprodutos ganham espaço nas exportações
Além das commodities tradicionais, os coprodutos ligados à bioenergia também começaram a ganhar relevância nas exportações brasileiras. DDG de milho — subproduto utilizado na nutrição animal e gerado na produção de etanol — apresentou crescimento nas vendas internacionais, especialmente para países como Turquia. O movimento reforça o avanço da indústria de bioenergia brasileira e amplia as oportunidades econômicas ligadas ao etanol, ao biometano e à economia circular no agro.
Canal-Jornal da Bioenergia













