O aumento das tensões no Oriente Médio, especialmente envolvendo o Irã em março de 2026, provocou forte reação no mercado internacional de petróleo e repercute diretamente no setor de combustíveis no Brasil. O barril do Brent registrou alta de aproximadamente 13%, superando o patamar de US$ 80, diante do risco de interrupções na oferta global. A valorização pressiona os preços da gasolina e pode impactar os valores praticados no mercado interno.
De acordo com analistas da XP Investimentos, o cenário internacional tende a favorecer o etanol, uma vez que o aumento da gasolina melhora a competitividade do biocombustível nos postos, especialmente em estados onde a paridade é determinante para a escolha do consumidor. A Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) informou que, em março de 2026, a defasagem nos preços da gasolina vendida nas refinarias da Petrobras chegou a R$ 0,42 por litro em relação às cotações internacionais. Segundo a entidade, o cenário aumenta a pressão por eventuais reajustes. Representantes da indústria automotiva e do setor energético acompanham os desdobramentos do conflito, que envolve Israel, Estados Unidos e Irã, e monitoram possíveis impactos sobre o abastecimento global.
No setor sucroenergético, especialistas indicam que a elevação dos preços do petróleo pode influenciar o planejamento das usinas, que definem o mix de produção entre açúcar e etanol com base nas condições de mercado. A expectativa de maior demanda pelo biocombustível pode alterar essa estratégia ao longo da safra. Analistas também destacam que a extensão do conflito e eventuais restrições no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, são fatores que podem intensificar a volatilidade das commodities energéticas.
Ao mesmo tempo, a alta do petróleo pressiona os custos do diesel, combustível amplamente utilizado no transporte de cargas e nas atividades do agronegócio. Entidades industriais alertam para possíveis aumentos nos custos logísticos e nos seguros marítimos, além de impactos sobre fertilizantes importados. O cenário permanece em acompanhamento por agentes do mercado, que avaliam os efeitos da instabilidade internacional sobre os preços de combustíveis, a competitividade do etanol e a dinâmica das cadeias produtivas no Brasil.
Canal-Jornal da Bioenergia













