Em 2025, as usinas brasileiras de biodiesel venderam perto de 9,6 milhões de metros cúbicos do combustível renovável para as distribuidoras, quase 715 mil m³ a mais que em 2024 — um salto que mostra o quanto o setor já não é mais nicho, e sim peça chave na engrenagem da matriz energética nacional. O combustível verde não só encheu tanques: os preços médios por metro cúbico avançaram de pouco mais de R$ 5.073 para R$ 5.734, fazendo com que o faturamento do setor ultrapassasse R$ 55 bilhões, para serem repartidos entre 33 grupos empresariais.
Esse crescimento está longe de ser obra do acaso. A produção nacional se beneficia da tradição agroindustrial consolidada há décadas, da estrutura produtiva robusta e da incessante melhoria nas cadeias de fornecimento de matérias-primas. País chegou a ter até 58 plantas de biodiesel autorizadas, com capacidade instalada diária perto de 41 mil m³, e a projeção é que esse número só cresça com novos projetos e expansões previstas no horizonte próximo — sinal claro de que o Brasil está calibrando sua bússola para uma economia cada vez mais verde e menos dependente de combustíveis fósseis.
Onde acontece a produção biodiesel no Brasil?
O mapa da produção está intimamente ligado às regiões onde a agricultura cresceu primeiro e com mais força. Centro-Oeste e Sul dominam o palco, respondendo por mais de 70% da produção nacional. Os estados que mais contribuem são:
Mato Grosso — líder nacional em muitos meses, graças à forte base agrícola e ao acesso facilitado às matérias-primas.
Rio Grande do Sul — pérola do Sul, com tradição em produção e cadeia integrada.
Paraná e Goiás também aparecem no radar como grandes centros produtivos, com plantas modernas e conectadas às cadeias de soja e sebo bovino.
Essa distribuição não é acidente geográfico: é reflexo de sucessivas décadas de desenvolvimento agrícola, infraestrutura logística e integração com a indústria de processamento de oleaginosas — especialmente a soja, que responde por mais de 70% da matéria-prima usada para biodiesel no Brasil.
O que vem por aí?
Com o mandato de mistura obrigatório subindo progressivamente — hoje em 15% e com planos de alcançar 20% até o fim da década — a produção pode ultrapassar 10 milhões de m³ se o mercado continuar a respirar fundo e crescer de forma sustentável.
Canal-Jornal da Bioenergia













