O Brasil superou a marca de 20 gigawatts (GW) de potência instalada em grandes usinas solares fotovoltaicas, consolidando a fonte como um dos pilares da matriz elétrica nacional. O dado integra levantamento da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) e reforça o peso do segmento que, desde 2012, já atraiu mais de R$ 87,7 bilhões em investimentos, gerou cerca de 601 mil empregos verdes acumulados e contribuiu com aproximadamente R$ 29 bilhões em arrecadação para os cofres públicos.
Apesar do crescimento expressivo, o ritmo de expansão das usinas solares centralizadas tem esbarrado em entraves estruturais. O principal deles é o aumento dos cortes de geração renovável, prática conhecida como curtailment, que ocorre quando a energia produzida não é escoada ou utilizada pelo sistema elétrico. Em 2025, 20,6% de toda a energia solar e eólica disponível no país deixou de ser aproveitada, sem ressarcimento aos empreendedores afetados, segundo a entidade.
Para a ABSOLAR, o cenário acende um alerta sobre a urgência de modernizar o planejamento do setor elétrico brasileiro. A avaliação é de que a expansão da geração não tem sido acompanhada, na mesma velocidade, por investimentos em linhas de transmissão, sistemas de armazenamento e soluções que garantam maior flexibilidade à operação do sistema.
Atualmente, as usinas solares de grande porte estão distribuídas por todos os estados brasileiros. A liderança em potência instalada permanece com o Nordeste, responsável por 52% do total nacional, seguido pelo Sudeste, com 46,8%. As regiões Sul, Centro-Oeste (incluindo o Distrito Federal) e Norte têm participação menor, mas crescente.
No ranking estadual, Minas Gerais ocupa a primeira posição, com 8,15 GW em operação, o equivalente a 40,66% da potência instalada do país no segmento. Na sequência aparecem Bahia (2,67 GW), Piauí (2,40 GW), Ceará (1,78 GW), Rio Grande do Norte (1,52 GW), Pernambuco (1,33 GW), São Paulo (1,21 GW), Paraíba (0,71 GW), Rio Grande do Sul (0,49 GW) e Mato Grosso (0,28 GW).
Segundo o CEO da ABSOLAR, Rodrigo Sauaia, as usinas solares desempenham papel estratégico no atendimento à demanda por energia limpa e competitiva, especialmente em períodos de temperaturas elevadas, maior consumo e níveis mais baixos dos reservatórios hidrelétricos. Ele destaca que a integração da geração fotovoltaica com sistemas de baterias pode ampliar a segurança do suprimento elétrico e contribuir para o cumprimento dos compromissos ambientais assumidos pelo Brasil.
Na mesma linha, o presidente do Conselho de Administração da ABSOLAR, Ronaldo Koloszuk, avalia que a expansão da energia solar segue uma tendência global e está diretamente ligada ao processo de descarbonização das economias. Para ele, a abundância do recurso solar no país cria condições para que o Brasil se consolide como um hub internacional de energia limpa, capaz de atender novas demandas associadas a datacenters, inteligência artificial, mobilidade elétrica e hidrogênio verde.
Enquanto os números confirmam o avanço da fonte solar, o aumento do curtailment evidencia que o desafio agora vai além da geração. O foco do setor se volta para a infraestrutura e para a regulação, consideradas decisivas para transformar o potencial solar brasileiro em energia efetivamente entregue à sociedade.
Canal-Jornal da Bioenergia













