As usinas de etanol de milho no Brasil, especialmente no Centro-Oeste, diante do custo da biomassa tradicional tem empurrado parte das indústrias para uma alternativa controversa: o uso de madeira como fonte de energia térmica. No meio desse movimento, cresce a preocupação com o risco de estímulo indireto ao desmatamento.
O etanol de milho, que vem ganhando força como complemento à produção de etanol de cana, depende de calor em larga escala para viabilizar o processamento do grão. Tradicionalmente, esse calor é gerado a partir de biomassa como cavaco de madeira de reflorestamento, bagaço de cana ou resíduos agrícolas. O problema é que, com a expansão acelerada das usinas e a demanda crescente por esses insumos, o preço disparou.
Diante desse cenário, algumas unidades industriais passaram a buscar alternativas mais baratas e imediatas. A madeira, muitas vezes sem certificação de origem clara, surge como opção viável no curto prazo. Especialistas do setor ambiental alertam que o uso interno da madeira pode gerar cadeias prejudiciais de remoção, especialmente em regiões onde a fiscalização é falha. Na prática, isso pode significar o avanço do desmatamento, ainda que de forma indireta, impulsionado por uma demanda energética crescente.
Por outro lado, representantes do setor produtivo argumentam que nem toda madeira utilizada é irregular. Parte significativa, segundo eles, vem de áreas de reflorestamento ou de manejo sustentável devidamente autorizadas. Ainda assim, admitimos que o desafio é garantir rastreabilidade e transparência em toda a cadeia.
A situação escandaliza um dilema típico da transição energética: como expandir fontes renováveis sem criar novos passivos ambientais. O etanol de milho é visto como peça importante na matriz energética brasileira, diminuindo a dependência de combustíveis fósseis e aproveitando a segunda safra do grão. Mas o modelo precisa ser sustentável da ponta ao processo industrial.
Há iniciativas em andamento para diversificar a matriz energética das usinas, como o uso de biogás, biometano e até energia elétrica de fontes renováveis. No entanto, essas soluções ainda enfrentam barreiras de escala, custo e infraestrutura. Enquanto isso, o mercado segue operando na lógica da sobrevivência econômica. Quando o insumo sobe, a indústria reage. O risco é claro: sem controle rigoroso, a busca por biomassa mais barata pode custar caro demais para o meio ambiente.













