A elevação do petróleo no mercado internacional, combinada às decisões sobre a política de preços de combustíveis no Brasil, pode impactar diretamente o valor mínimo do açúcar no mercado global. Estimativas indicam que esse piso pode alcançar até 16,2 centavos de dólar por libra-peso, a depender do nível de repasse desses custos ao consumidor interno.
De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, a relação entre energia e açúcar voltou ao centro das atenções. Isso ocorre porque eventuais ajustes nos preços dos combustíveis — especialmente pela Petrobras — influenciam a competitividade do etanol frente à gasolina, alterando o direcionamento da produção nas usinas brasileiras.
Atualmente, cerca de 15% da gasolina consumida no país é importada. Com a alta do petróleo, os custos dessas importações aumentam, pressionando os preços domésticos. Caso haja repasse ao consumidor, o etanol tende a se tornar mais competitivo, incentivando as usinas a priorizarem a produção de biocombustíveis em detrimento do açúcar.
A Hedgepoint simulou diferentes cenários para avaliar esse impacto. Em um primeiro cenário, sem repasse dos custos de importação, o preço do etanol equivalente ao açúcar gira em torno de 17,4 centavos de dólar por libra. Nessa condição, o biocombustível já se mostra mais atrativo, reduzindo a participação do açúcar no mix produtivo.
Em um segundo cenário, no qual o etanol precisa ganhar competitividade em grande parte do país para absorver excedentes e equilibrar o mercado, o piso do açúcar poderia recuar para cerca de 13,5 centavos de dólar por libra-peso, considerado um nível mínimo ao longo da safra.
Já em um terceiro cenário, com repasse integral dos custos de importação pela Petrobras, o piso do açúcar subiria para aproximadamente 16,2 centavos de dólar por libra, reforçando o suporte aos preços do adoçante.
A coordenadora de Inteligência de Mercado da Hedgepoint, Lívea Coda, destaca que, apesar da recente alta nos preços do açúcar impulsionada por fatores como compras de fundos, tensões no Oriente Médio e problemas logísticos, o movimento perdeu força rapidamente. Segundo ela, os fundamentos seguem apontando para um cenário de excesso de oferta global.
Ainda assim, a especialista ressalta que a manutenção de preços elevados no setor de energia pode sustentar o piso do açúcar. “Derivados de petróleo mais caros tendem a elevar os combustíveis no Brasil, aumentando a competitividade do etanol e influenciando diretamente as decisões das usinas”, afirma.
Nas últimas semanas, o mercado do adoçante tem sido marcado por forte volatilidade, refletindo incertezas geopolíticas e macroeconômicas. Apesar de altas pontuais, o cenário estrutural de superávit global limita movimentos mais duradouros de valorização.
Dessa forma, embora o comportamento do setor energético possa oferecer suporte aos preços mínimos do açúcar, esse efeito permanece condicionado à evolução do mercado internacional e aos desdobramentos geopolíticos. (Canal com informações da Hedgepoint Global Markets)












