A geração de energia solar segue em trajetória de expansão no Brasil e ganhou ainda mais relevância em fevereiro de 2026. Dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica apontam que a produção solar cresceu 27% em relação ao mesmo mês do ano anterior, alcançando 4.961 megawatts médios (MWmed), frente a 3.906 MWmed registrados em fevereiro de 2025. O avanço contrasta com o desempenho das demais fontes. No mesmo período, as usinas térmicas, eólicas e hidrelétricas apresentaram retração de 9,1%, 7,8% e 5,1%, respectivamente. Com isso, a geração total de energia no Sistema Interligado Nacional (SIN) caiu 4,2%, somando 78.962 MWmed.
Além da redução na oferta, o consumo também apresentou queda. Segundo a CCEE, a demanda no SIN recuou 3% em fevereiro. O Ambiente de Contratação Livre (ACL), que reúne grandes consumidores, registrou retração de 4,8%, enquanto o Ambiente de Contratação Regulada (ACR) teve leve alta de 0,3%.
Clima influencia consumo e desempenho regional
A desaceleração no consumo de energia foi influenciada, principalmente, por condições climáticas mais amenas e maior volume de chuvas em comparação com o mesmo período de 2025. Esse cenário impactou diferentes regiões do país, com destaque para as quedas registradas no Rio de Janeiro (-10,3%), Rio Grande do Sul (-6,9%), Goiás (-4,9%), Amapá (-4,7%) e Minas Gerais (-4,3%). Por outro lado, alguns estados apresentaram crescimento no consumo, como Pará (8,0%), Sergipe (4,3%), Alagoas (3,7%) e Amazonas (2,3%), indicando comportamentos regionais distintos diante das condições climáticas e econômicas.
Expansão da matriz elétrica reforça protagonismo das renováveis
Apesar da queda pontual na geração total e no consumo, o sistema elétrico brasileiro continua em expansão. Levantamento da Agência Nacional de Energia Elétrica mostra que, no primeiro bimestre de 2026, a matriz elétrica cresceu 1,2 gigawatt (GW), elevando a capacidade instalada para 217 GW. Somente em fevereiro, foram adicionados 743 megawatts (MW) ao sistema, com a entrada em operação de 16 novas usinas. Desse total, 14 são solares fotovoltaicas, responsáveis por 677 MW, além de uma usina eólica (59 MW) e uma pequena central hidrelétrica (7 MW). A expansão ocorreu em sete estados, distribuídos pelas cinco regiões do país. O Rio Grande do Norte lidera o crescimento no período, com acréscimo de 640 MW, seguido por Minas Gerais, com 505 MW.
Tendência de longo prazo
Os dados reforçam o avanço estrutural da fonte solar na matriz elétrica brasileira, que vem ampliando participação mesmo em cenários de retração do consumo. A entrada contínua de novos empreendimentos e a diversificação das fontes renováveis indicam um movimento consistente de transformação do setor elétrico no país, com maior equilíbrio entre oferta, sustentabilidade e segurança energética.
Canal-Jornal da Bioenergia













