Etanol de milho brasileiro avança para uso no transporte marítimo

O etanol de milho produzido no Brasil conquistou um marco estratégico no cenário global ao ter sua intensidade de carbono reconhecida pela Organização Marítima Internacional. A decisão coloca o biocombustível nacional em posição competitiva no fornecimento de energia para o transporte oceânico, um dos setores mais pressionados por metas de descarbonização. A aprovação considera o etanol de milho de segunda safra, conhecido como safrinha, com um valor padrão de 20,8 gramas de CO₂ equivalente por megajoule. O índice reforça a eficiência ambiental do produto brasileiro quando comparado ao combustível marítimo convencional, o bunker, cuja referência chega a 93,3 gramas de CO₂ equivalente por megajoule.

Esse avanço regulatório já começa a se refletir em iniciativas concretas. A Vale, por exemplo, desenvolve projetos com armadores asiáticos para viabilizar o uso de navios híbridos, movidos a etanol e combustíveis convencionais. A expectativa é de que essas operações entrem em funcionamento a partir de 2029, sinalizando uma mudança gradual na matriz energética do transporte oceânico. Em declaração à agência Bloomberg, o capitão de mar e guerra Flavio Mathuiy, representante do Brasil na IMO, destacou que a definição desse parâmetro abre caminho para maior inserção do etanol nacional nas rotas internacionais de descarbonização do transporte marítimo. O reconhecimento técnico também projeta vantagem competitiva frente a outros grandes produtores globais, como os Estados Unidos, especialmente no contexto de expansão do etanol de milho no Brasil, que vem ganhando escala com base na integração entre lavoura e indústria.

Vantagem frente aos concorrentes

A validação da pegada de carbono do produto brasileiro cria uma vantagem direta frente a concorrentes como os Estados Unidos, ao permitir que o biocombustível nacional entre com mais competitividade no mercado global. A decisão também elimina um dos principais entraves técnicos antes da consolidação do novo marco internacional para redução de gases de efeito estufa no setor naval. No Brasil, a base produtiva acompanha esse movimento em ritmo acelerado. A indústria de etanol de milho se consolida no Centro-Oeste como um dos principais polos de expansão do setor bioenergético. Ao final de 2025, o país contabilizava 29 usinas em operação e outras 16 em fase de implantação, indicando crescimento contínuo da capacidade instalada.

Entre os destaques está a Inpasa, responsável pela maior unidade de etanol do mundo, localizada em Sinop (MT), com capacidade anual de 2 bilhões de litros. Empresas como a FS Bioenergia também contribuíram para estruturar o segmento, sendo pioneiras na produção integral a partir do milho. A relevância desse modelo se torna ainda mais evidente durante a entressafra da cana-de-açúcar, período em que o etanol de milho já chegou a responder por mais de 77% da produção nacional. O dado reforça o papel estratégico dessa fonte na garantia de oferta contínua e na estabilidade do mercado interno.

Com produção em expansão e reconhecimento regulatório internacional, o etanol de milho brasileiro passa a ocupar espaço não apenas como alternativa energética doméstica, mas como ativo competitivo em uma agenda global cada vez mais pressionada por metas de descarbonização.

 

Canal-Jornal da Bioenergia

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