Etanol entra em 2026 sob pressão de oferta maior, mas imposto segura queda nos preços

Etanol entra em 2026 sob pressão de oferta maior, mas imposto segura queda nos preços

O mercado de etanol inicia 2026 em um jogo de forças típico do setor: de um lado, uma oferta maior puxada pela recuperação da cana-de-açúcar e pelo avanço consistente do etanol de milho; de outro, fatores tributários e energéticos que impedem uma queda mais clara dos preços ao consumidor. O resultado é um cenário de valores pressionados para baixo na origem, mas ainda resistentes na bomba.

A expectativa para a safra 2026/2027 é de crescimento da produção sucroenergética, após períodos de instabilidade climática. Ao mesmo tempo, o etanol de milho segue ampliando participação e consolidando sua presença como fonte complementar, especialmente no Centro-Oeste. Esse movimento amplia a disponibilidade do biocombustível no mercado interno e tende a reduzir a pressão altista sobre os preços.

“Há uma sinalização clara de aumento da oferta total de etanol no país, tanto pela cana quanto pelo milho, o que naturalmente pressiona as cotações”, avaliam analistas do setor sucroenergético em estudos recentes. Segundo eles, a dinâmica de produção em 2026 será fortemente influenciada pela decisão das usinas entre açúcar e etanol, dependendo da atratividade dos mercados.

Nesse ponto, o comportamento do açúcar volta ao centro do debate. Caso os preços internacionais da commodity percam força, parte maior da cana pode ser direcionada para o etanol, ampliando ainda mais a oferta. “A flexibilidade industrial segue sendo um fator-chave. Quando o açúcar perde competitividade, o etanol ganha espaço”, observam especialistas ligados à cadeia produtiva.

No entanto, a pressão de baixa encontra um freio importante na tributação. Desde o início do ano, o aumento do ICMS sobre combustíveis adicionou cerca de R$ 0,10 por litro ao etanol e à gasolina. Esse ajuste reduz o impacto da maior oferta no preço final pago pelo consumidor. “Mesmo com fundamentos mais favoráveis à queda, o imposto cria um piso artificial para os preços na bomba”, aponta um consultor de mercado que acompanha o setor de biocombustíveis.

Outro fator decisivo segue sendo a relação com a gasolina. O etanol continua diretamente atrelado à política de preços da Petrobras e às oscilações do petróleo no mercado internacional. “A competitividade do etanol depende da paridade com a gasolina. Se o derivado fóssil subir, o etanol ganha espaço; se cair, o cenário muda rapidamente”, resumem analistas de energia.

Do lado da demanda, a expectativa é de crescimento moderado do consumo de combustíveis em 2026, impulsionado pela atividade econômica e pelo aumento do uso de veículos em um contexto de temperaturas mais elevadas. Esse avanço pode ajudar a absorver parte da produção adicional, mas não elimina o risco de excesso de oferta em determinados períodos do ano.

Na prática, o mercado entra em 2026 atento a um equilíbrio delicado: mais etanol disponível, margens mais apertadas na produção e preços ao consumidor influenciados menos pela lavoura e mais pelo imposto e pela gasolina. Um velho roteiro do setor, reeditado com novos volumes, novas rotas tecnológicas e o mesmo desafio de sempre — rentabilidade em um mercado altamente sensível a qualquer mudança.

Compartilhe:

senai cursos
Artigos Relacionados