O avanço do melhoramento genético da cana-de-açúcar tem ganhado força no setor bioenergético diante da necessidade de elevar a produtividade agrícola e aumentar a eficiência das lavouras. Nesse cenário, duas novas variedades desenvolvidas pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) chegam ao mercado com foco em maior rendimento por hectare e melhor desempenho em diferentes condições de plantio.
Uma das novidades é a CTC Advana2, variedade indicada para áreas com condições mais restritivas de cultivo na região Centro-Sul do país. O material apresenta potencial produtivo superior a 100 toneladas de cana por hectare, cerca de 10% acima dos padrões atualmente disponíveis no mercado. A cultivar também apresenta bom desempenho em termos de Açúcares Totais Recuperáveis (ATR), indicador utilizado pelo setor para medir o potencial de produção de açúcar e etanol.
Outro diferencial da variedade é a sanidade vegetal. Testes comparativos apontam redução de perdas no campo entre 10% e 15% em relação a materiais tradicionais, além de uma curva de maturação considerada competitiva. Nos ensaios realizados pela instituição de pesquisa, a cultivar apresentou desempenho superior em 87% das comparações com variedades utilizadas como referência no mercado.
A recomendação de colheita da Advana2 é entre os meses de maio e setembro, período considerado estratégico para o planejamento agrícola das usinas. O potencial de adoção da nova genética é estimado em cerca de 4 milhões de hectares de canaviais na região Centro-Sul.
Outra cultivar disponibilizada é a Tecna3902, voltada para ambientes agrícolas de potencial intermediário a favorável. O material apresenta produtividade média de aproximadamente 115 toneladas de cana por hectare e pode ser manejado para colheita entre abril e agosto.
Ensaios de campo indicam ganho médio de uma tonelada por hectare em comparação às principais variedades cultivadas atualmente em regiões produtoras como Ribeirão Preto, Piracicaba, São Carlos e Assis, áreas tradicionais da canavicultura paulista.
O desenvolvimento de novas variedades tem sido uma das principais estratégias do setor para enfrentar desafios como oscilações no mercado internacional de açúcar, custos de produção e impactos climáticos sobre as lavouras. Com materiais mais produtivos e adaptados a diferentes ambientes agrícolas, a expectativa é ampliar a eficiência dos canaviais e fortalecer a competitividade da produção de açúcar e etanol no Brasil.
Canal-Jornal da Bioenergia













