Mesmo com a retração no volume de cana processada, a produção de etanol nas regiões Norte e Nordeste apresentou crescimento na safra 2025/2026. Até o fim de fevereiro, a moagem acumulada somou 52,8 milhões de toneladas, resultado 4,1% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior. Os dados são da Associação de Produtores de Açúcar, Etanol e Bioenergia (NovaBio), com base em informações do Ministério da Agricultura.
Na análise regional, o Norte processou 6,9 milhões de toneladas de cana, queda de 5,3% em relação ao ano anterior. Já o Nordeste respondeu por 45,8 milhões de toneladas, com retração de 4%. Como reflexo do direcionamento maior para a produção de biocombustíveis, o volume de açúcar caiu de forma mais expressiva, totalizando 2,988 milhões de toneladas — redução de 13,8%.
Por outro lado, o etanol ganhou espaço no mix produtivo. A produção total do biocombustível atingiu 2,79 milhões de metros cúbicos até 28 de fevereiro, crescimento significativo frente aos 2,156 milhões registrados no mesmo intervalo da safra passada, considerando tanto o etanol de cana quanto o de milho.
No detalhamento, o etanol anidro de cana somou 852,8 mil metros cúbicos, alta de 3,4%, enquanto o hidratado atingiu 1,289 milhão de metros cúbicos, com leve queda de 3,2%. Já o etanol de milho alcançou 648,5 mil metros cúbicos, sendo a maior parte destinada ao anidro.
De acordo com a NovaBio, o comportamento da safra reflete tanto fatores climáticos quanto o cenário internacional. A irregularidade das chuvas e as oscilações climáticas impactaram o desenvolvimento da cana, enquanto a volatilidade do mercado global de açúcar — influenciada por movimentos financeiros e questões geopolíticas — incentivou as usinas a priorizarem a produção de etanol.
Além disso, medidas comerciais externas também tiveram peso. Tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre o açúcar brasileiro afetaram especialmente as exportações das regiões Norte e Nordeste, tradicionalmente direcionadas a esse mercado, reforçando a migração para o biocombustível.
No campo da qualidade da matéria-prima, o Açúcar Total Recuperável (ATR) apresentou queda de 7% no volume total e recuo de 3% por tonelada de cana em relação ao ciclo anterior. Ainda assim, o andamento da safra segue próximo do esperado: até fevereiro, cerca de 89,5% da moagem prevista já havia sido realizada — com o Norte praticamente concluindo o ciclo e o Nordeste atingindo 88,5% da estimativa.
Em relação aos estoques, o volume total de etanol armazenado ao fim de fevereiro chegou a 343,7 mil metros cúbicos, redução de 10,25% na comparação anual. Tanto o etanol anidro quanto o hidratado registraram queda, indicando maior escoamento da produção ao longo da safra.
Canal – Jornal da Bioenergia













