O setor bioenergético brasileiro inicia a safra 2026/2027 com a projeção de uma produção histórica de etanol, com acréscimo de quase 4 bilhões de litros ao mercado. O volume é praticamente equivalente a todo o montante de gasolina importado pelo país em 2025 e surge em meio à crescente volatilidade dos preços internacionais do petróleo.
As informações foram consolidadas a partir de nota conjunta enviada pela Bioenergia Brasil, pela União Nacional do Etanol de Milho (UNEM) e pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), que destacam o papel estratégico do etanol como alternativa competitiva ao petróleo. Segundo as entidades, o biocombustível, além de ser produzido integralmente no Brasil, atua como um mecanismo de proteção ao consumidor sem necessidade de subsídios ou impacto nas contas públicas.
Atualmente, o etanol — nas formas hidratada e anidra — já representa mais de 30 bilhões de litros de gasolina equivalente na matriz de combustíveis do país. Nos últimos anos, o biocombustível manteve-se abaixo da paridade de 73% em relação à gasolina na maior parte do mercado consumidor, gerando uma economia estimada em R$ 5 bilhões apenas em 2025. Desde a introdução dos veículos flex, esse ganho acumulado ultrapassa R$ 140 bilhões, com impacto mais significativo em períodos de alta do petróleo.
O desempenho do setor é resultado de uma política de longo prazo. Iniciativas como o Proálcool, criado na década de 1970, a ampliação da mistura obrigatória de etanol na gasolina — de 27% para 30% — e programas recentes como o Combustível do Futuro, o Mover e o RenovaBio contribuíram para um ambiente regulatório estável e previsível.
Segundo as entidades, esse cenário impulsionou um crescimento de 30% na capacidade produtiva nos últimos anos. Mais de 20 novas plantas já tiveram comunicados de construção registrados na Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), fortalecendo a economia, gerando empregos e ampliando a segurança energética nacional em um contexto global de incertezas.
Para Bioenergia Brasil, UNEM e UNICA, o etanol não deve ser visto como uma solução emergencial, mas como uma estrutura consolidada ao longo de décadas — capaz de garantir ao Brasil maior autonomia energética e estabilidade para o consumidor.













