A produção brasileira de cana-de-açúcar na safra 2026/27 está estimada em 709,1 milhões de toneladas, segundo o primeiro levantamento divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento. Caso o resultado se confirme, o volume será 5,3% superior ao registrado na safra 2025/26 e o segundo maior da série histórica da companhia, ficando atrás apenas da temporada 2023/24. A projeção considera a recuperação da produtividade das lavouras e o aumento da área destinada à colheita. A produtividade média nacional está estimada em 77.753 quilos por hectare, crescimento de 3,4% em relação ao ciclo anterior. Já a área colhida deve atingir 9,1 milhões de hectares, avanço de 1,9% e maior patamar já registrado pela Conab.
De acordo com o levantamento, as condições climáticas observadas ao longo de 2025 favoreceram o desenvolvimento da cultura em grande parte das regiões produtoras. O Sudeste permanece como principal região produtora de cana-de-açúcar do país, com previsão de colheita de 459,1 milhões de toneladas, alta de 6,8% frente à safra passada. A área colhida na região deve alcançar 5,7 milhões de hectares, crescimento de 2,1%, enquanto a produtividade média está projetada em 80.852 quilos por hectare. No Centro-Oeste, a expectativa é de produção de 154,5 milhões de toneladas. A área destinada à colheita deve crescer 1,8%, chegando a 2 milhões de hectares. A produtividade média regional está estimada em 77.595 quilos por hectare.
Para o Nordeste, a projeção é de produção de 55,2 milhões de toneladas, aumento de 3,7% em relação à safra anterior. A região deverá registrar área colhida de 901,3 mil hectares e produtividade média de 61.248 quilos por hectare. Na Região Sul, a estimativa é de produção de 36,2 milhões de toneladas, volume 0,6% superior ao obtido na temporada passada. A Região Norte é a única com previsão de redução na área colhida, estimada em 52,7 mil hectares, queda de 0,5%. Mesmo assim, a produtividade média deve crescer 10,2%, alcançando 78.763 quilos por hectare, o que poderá elevar a produção regional para 4,2 milhões de toneladas.
Produção de etanol pode atingir novo recorde
A maior oferta de cana deverá refletir diretamente na produção de etanol. A Conab estima produção total de 40,69 bilhões de litros na safra 2026/27, aumento de 8,5% em comparação com a temporada anterior. Do total previsto, 29,26 bilhões de litros devem ser produzidos a partir da cana-de-açúcar, crescimento de 7,1%. O etanol hidratado deve alcançar 18,29 bilhões de litros, enquanto o anidro, utilizado na mistura obrigatória à gasolina, está estimado em 10,97 bilhões de litros.
A produção de etanol de milho também deverá avançar na nova safra. A estimativa é de 11,43 bilhões de litros, crescimento de 12,3% frente ao ciclo anterior. O Centro-Oeste segue como principal polo produtor, enquanto o Nordeste amplia participação com novas unidades industriais. Segundo a Conab, o etanol hidratado de milho deverá responder por 7,15 bilhões de litros da produção total, enquanto o anidro poderá atingir 4,28 bilhões de litros. Para o etanol, o cenário permanece sustentado pela demanda do anidro, impulsionada pela mistura obrigatória à gasolina. Já o hidratado continua mais dependente da competitividade frente aos combustíveis fósseis e do comportamento do consumo interno.
Açúcar tem leve recuo previsto
Na contramão do etanol, a produção de açúcar deve apresentar redução de 0,5% na safra 2026/27, ficando estimada em 43,95 milhões de toneladas. O levantamento aponta que o mercado internacional do açúcar segue pressionado pelo aumento da oferta global, especialmente pela recuperação da produção em países como Índia e Tailândia, além da elevada disponibilidade do produto brasileiro.
Canal-Jornal da Bioenergia












