A safra de açúcar na Índia vem apresentando mudanças no ritmo de produção, com usinas encerrando as operações de moagem mais cedo do que o habitual. A avaliação foi apresentada pela Datagro durante a Abertura da Safra Cana, Açúcar e Etanol, ao analisar o desempenho recente da produção indiana. De acordo com os dados, o encerramento antecipado da moagem está relacionado principalmente ao menor rendimento agrícola da cana, fator que reduz o volume de matéria-prima disponível para processamento ao longo da temporada. Outro elemento apontado é o aumento da capacidade de moagem em regiões como Maharashtra, que acelera o processamento da cana e contribui para que as usinas concluam suas atividades mais rapidamente.
Mesmo com essas mudanças no ritmo da safra, a produção de açúcar da Índia atingiu cerca de 24,63 milhões de toneladas até 28 de fevereiro, volume que representa crescimento de 11,9% em relação ao mesmo período do ano anterior. Na análise da Datagro, a produção mensal da safra 2025/26 segue padrão semelhante ao de anos anteriores no início do ciclo, com forte avanço entre novembro e janeiro, mas indica desaceleração mais rápida nos meses finais da moagem. A evolução da produção indiana é acompanhada de perto pelo mercado internacional, já que o país está entre os maiores produtores de açúcar do mundo. Alterações no volume produzido ou no ritmo da safra podem impactar diretamente o equilíbrio global de oferta e demanda e influenciar as cotações da commodity.
China deve manter importações de açúcar para equilibrar mercado interno
A China deve continuar recorrendo ao mercado internacional para suprir sua demanda por açúcar nos próximos anos, segundo a Datagro. O cenário é influenciado principalmente pelos preços internos do produto, que permanecem acima da paridade de importação. De acordo com os dados apresentados, o açúcar no mercado doméstico chinês está cerca de 12% mais caro do que o equivalente importado, o que mantém aberta a janela de arbitragem e favorece as compras externas do produto.
Mesmo com expectativa de leve aumento da produção interna — que deve passar de 11,11 milhões para cerca de 11,20 milhões de toneladas na safra 2025/26 — o país ainda deverá precisar recorrer ao mercado externo para equilibrar oferta e demanda. A estimativa apresentada aponta que a China poderá importar cerca de 5 milhões de toneladas de açúcar em 2026 para manter os estoques em níveis considerados adequados, equivalentes a aproximadamente 22% do consumo interno.
Segundo a Datagro, a arbitragem de importação, tanto para o açúcar brasileiro quanto para o produto originário da Tailândia, voltou a ficar positiva nos últimos meses, reforçando a competitividade do açúcar estrangeiro no mercado chinês. Como um dos maiores consumidores globais da commodity, o comportamento da China nas importações é acompanhado de perto pelo mercado internacional, já que variações na demanda do país podem influenciar diretamente o fluxo do comércio global de açúcar e os preços da commodity.
Canal-Jornal da Bioenergia













