As vendas de etanol pelas unidades produtoras da região Centro-Sul alcançaram 1,33 bilhão de litros nos primeiros quinze dias de janeiro, refletindo o cenário típico de entressafra da cana-de-açúcar. Do total comercializado, 567,37 milhões de litros corresponderam ao etanol anidro, volume 1,86% superior ao registrado no mesmo período da safra anterior, enquanto o etanol hidratado somou 759,18 milhões de litros, queda de 9,76%.
No mercado interno, as vendas de etanol hidratado atingiram 751,71 milhões de litros, retração de 6,49% na comparação anual. Já o etanol anidro apresentou desempenho positivo, com 567,25 milhões de litros comercializados, crescimento de 3,31%.
Desde o início da safra 2025/2026 até 16 de janeiro, a comercialização total de etanol no Centro-Sul chegou a 27,62 bilhões de litros, recuo de 2,19%. O volume acumulado de etanol hidratado somou 17,11 bilhões de litros (-5,94%), enquanto o anidro totalizou 10,51 bilhões de litros, avanço de 4,59%.
Produção segue ritmo de entressafra
Na primeira quinzena de janeiro, apenas 27 unidades produtoras estiveram em operação no Centro-Sul. Desse total, nove processaram cana-de-açúcar, dez produziram etanol a partir do milho e oito atuaram como usinas flex. Ao final do período, cinco unidades encerraram a moagem.
A moagem de cana foi limitada a 605,09 mil toneladas no período. No acumulado da safra até 16 de janeiro, o volume processado atingiu 601,04 milhões de toneladas, queda de 2,22% em relação ao mesmo intervalo do ciclo anterior. A qualidade da matéria-prima também apresentou leve recuo, com o ATR médio acumulado em 138,36 kg por tonelada, 2,19% inferior ao registrado na safra passada.
A produção de açúcar nos primeiros quinze dias de janeiro foi de 7,32 mil toneladas. No acumulado da safra, a fabricação totalizou 40,24 milhões de toneladas, crescimento de 0,86% na comparação anual.
Já a produção de etanol alcançou 427,42 milhões de litros na quinzena. Desde o início da safra, a fabricação somou 31,27 bilhões de litros, queda de 4,82%. O etanol hidratado respondeu por 19,30 bilhões de litros (-7,78%), enquanto o anidro totalizou 11,97 bilhões de litros (+0,39%).
O etanol de milho manteve papel central no período: 89,96% do volume produzido na quinzena teve essa origem, com 384,49 milhões de litros, aumento de 8,50% em relação ao mesmo período da safra anterior. No acumulado, a produção de etanol de milho atingiu 7,25 bilhões de litros, avanço expressivo de 13,67%.
Segundo Luciano Rodrigues, diretor da UNICA, o ritmo reduzido é esperado. “Estamos no período de entressafra da cana-de-açúcar no Centro-Sul, e o restabelecimento mais significativo da produção deve ocorrer apenas a partir da segunda metade de março, seguindo o padrão histórico do setor”, afirma.
RenovaBio e mercado de CBios ganham previsibilidade
No mercado de créditos de descarbonização, dados da B3 até 4 de fevereiro apontam a emissão de 4,27 milhões de CBios. Atualmente, há 21,71 milhões de créditos disponíveis para negociação, considerando estoques de partes obrigadas, não obrigadas e emissores.
De acordo com a ANP, 99% da meta global do RenovaBio para 2025 já foi atingida, enquanto 88,2% das metas individuais foram cumpridas. Além disso, cerca de 50% das distribuidoras que apresentavam inadimplência em 2024 regularizaram integralmente suas obrigações até o fim de janeiro de 2026.
Para Rodrigues, o cenário reforça a solidez do programa. “O reconhecimento da constitucionalidade do RenovaBio e as recentes decisões do Judiciário fortalecem a credibilidade regulatória e oferecem maior previsibilidade ao mercado. Esse avanço é fundamental para garantir isonomia concorrencial e consolidar o RenovaBio como uma política pública efetiva de descarbonização”, conclui. (Canal – com informações da UNICA)













