A importância do monitoramento climático para o agro

Eliza Bartel

A agricultura brasileira enfrenta um grande desafio para se adaptar às mudanças climáticas. Para isso, é preciso investir em tecnologias, práticas, e políticas que possam aumentar a resiliência e a sustentabilidade dos sistemas agrícolas, como o uso de variedades mais tolerantes, o manejo integrado de pragas e doenças, a rotação de culturas, a conservação do solo e da água, a diversificação da produção, a integração lavoura-pecuária-floresta, o monitoramento climático, a previsão de riscos, e o seguro rural. Agora, o cenário climático extremo, influenciado pelo fenômeno El Niño, está desencadeando uma intensificação nos esforços do agronegócio para monitorar e enfrentar as condições adversas durante a safra 2023/2024.

A seca prolongada pode prejudicar o enchimento dos grãos, a qualidade das pastagens, e a disponibilidade de água para irrigação. Culturas como soja, milho, feijão, café e laranja são sensíveis à falta de umidade no solo.
As altas temperaturas podem causar estresse térmico nas plantas e nos animais, reduzindo o crescimento, a fotossíntese, a floração, a polinização, a produção de leite e carne, e a reprodução. Além disso, as altas temperaturas podem favorecer o surgimento e a disseminação de pragas e doenças.
As chuvas intensas podem provocar erosão e alagamento prejudicando o desenvolvimento das raízes e a absorção de água e minerais pelas plantas. As chuvas também podem dificultar a colheita, a secagem, o transporte, e o armazenamento dos produtos, aumentando as perdas e os custos. Por outro lado, o calor em demasia e padrões de chuvas atípicos têm impactado a produção, levando produtores e empresas do setor a adotarem tecnologias avançadas de previsão meteorológica.

A Climatempo, empresa de consultoria meteorológica, relata um aumento significativo na demanda por seus serviços, com mais de 350 produtores conectados à plataforma. A meteorologista Nadiara Pereira destaca a necessidade crescente de informações precisas de curto e médio prazo para orientar as decisões de plantio e colheita, bem como previsões de maior alcance para fornecedores de insumos e maquinário. Produtores estão avaliando o risco do plantio para a safra 2023/2024, considerando culturas mais resistentes aos extremos climáticos, como o algodão. Além disso, algumas regiões estão experimentando a diversificação de culturas, como o cultivo de gergelim, conhecido por sua resistência e capacidade de captar umidade.  O agronegócio enfrenta uma temporada desafiadora, mas a adoção de tecnologias de monitoramento climático emerge como uma estratégia essencial para mitigar perdas e garantir a sustentabilidade da produção no Brasil.

Canal-Jornal da Bioenergia

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