A produção de biodiesel no Brasil alcançou um patamar histórico em 2025, impulsionada pela retomada do cronograma de elevação das misturas obrigatórias ao diesel e pela expansão da capacidade industrial instalada. O desempenho consolida a recuperação do setor após um período de instabilidade e sustenta expectativas de novo avanço já no próximo ano, segundo análise da área de Inteligência de Mercado da StoneX.
O principal motor desse crescimento foi a entrada em vigor do B15, em agosto, conforme diretrizes do Ministério de Minas e Energia. A elevação do teor de biodiesel no diesel comercializado interrompeu um ciclo de oscilações nos mandatos obrigatórios, que haviam sido impactados por dificuldades econômicas e pelos reflexos da pandemia nos anos anteriores.
A retomada do cronograma ganhou respaldo adicional com a sanção da Lei do Combustível do Futuro, que estabelece metas de aumento anual da mistura obrigatória até 2030. A medida trouxe maior previsibilidade regulatória ao setor e reforçou o papel do biodiesel na estratégia brasileira de transição energética.
Consumo de soja e expansão industrial
Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) indicam que o aumento do teor de mistura resultou em produção recorde de biodiesel em 2025. O consumo de óleo de soja, principal matéria-prima do setor, acompanhou esse movimento e alcançou 7,9 milhões de toneladas no ano.
Além da soja, houve avanço no uso de insumos alternativos, como sebo bovino, gordura suína e óleos residuais, ampliando a diversificação da matriz produtiva. O esmagamento de soja também cresceu, refletindo a maior demanda da indústria de biocombustíveis e reforçando a integração entre o agronegócio e o setor energético.
No âmbito industrial, a capacidade produtiva instalada chegou a 42,6 mil metros cúbicos por dia em 2025. As regiões Centro-Oeste e Sul mantiveram protagonismo, respondendo por mais de 70% da produção nacional. O ano foi marcado ainda por movimentos de consolidação, com aquisições de usinas por grandes grupos econômicos e a entrada de novos operadores, o que ampliou a competitividade do mercado.
Perspectivas para 2026
Para este ano, as projeções indicam continuidade do crescimento. No cenário-base, com manutenção do B15 ao longo de todo o ano, a demanda por biodiesel pode atingir 10,5 milhões de toneladas. Caso o teor avance para o B16 a partir de março, o consumo pode superar 11 milhões de metros cúbicos, exigindo cerca de 8,9 milhões de toneladas de óleo de soja.
A taxa de utilização da capacidade industrial deve oscilar entre 57% e 64,5%, dependendo do ritmo de expansão das usinas e das decisões governamentais sobre o mandato obrigatório. O setor segue atento ao cronograma previsto na Lei do Combustível do Futuro, que estabelece a elevação gradual da mistura até o B20 em 2030.
Diante desse cenário, produtores e investidores já avaliam novos projetos e a ampliação da capacidade instalada, especialmente em regiões com maior oferta de soja. A expectativa é que o biodiesel continue ampliando sua participação na matriz energética brasileira e desempenhando papel estratégico no abastecimento nacional nos próximos anos.
Canal-Jornal da Bioenergia












