Biogás ganha escala no campo e reforça rota da descarbonização na agroindústria catarinense

foto ilustrativa

Soluções baseadas no aproveitamento energético de resíduos da suinocultura começam a sair do discurso e entrar, de vez, na estratégia de transição energética da agroindústria brasileira. Em Santa Catarina, um programa piloto articulado pela indústria mostrou que o uso de biodigestores no meio rural é capaz de reduzir significativamente as emissões de gases de efeito estufa, ao mesmo tempo em que gera energia e valor econômico para produtores e empresas.

O levantamento envolveu 50 propriedades rurais integradas a grandes agroindústrias do estado e analisou, de forma prática, a viabilidade técnica, ambiental e econômica do biogás e do biometano. Os resultados indicam reduções expressivas nas emissões diretas, especialmente em granjas voltadas à fase de creche, onde os cortes podem superar 20%. Outras etapas da produção também apresentaram ganhos relevantes, reforçando o potencial da tecnologia como ferramenta de mitigação climática.

Mais do que números, o estudo evidencia uma mudança de mentalidade. O biogás deixa de ser visto apenas como solução ambiental e passa a ocupar espaço como ativo energético estratégico, sobretudo em um estado que concentra um terço do rebanho suíno nacional e tem forte presença no mercado internacional de carnes. A lógica é simples: resíduos que antes representavam passivos ambientais agora se transformam em energia térmica, elétrica ou combustível renovável.

A análise técnica avaliou diferentes arranjos, desde sistemas individuais até modelos coletivos, além de aplicações térmicas, geração de eletricidade e produção de biometano. As soluções voltadas ao uso térmico mostraram maior maturidade e competitividade imediata. Já os projetos coletivos, especialmente os voltados ao biometano, ainda dependem de escala, infraestrutura compartilhada e políticas públicas que reduzam custos e ampliem a atratividade econômica.

O diagnóstico também aponta que o estado reúne condições favoráveis para avançar nessa cadeia: alta densidade produtiva, concentração geográfica das propriedades e integração com a agroindústria. Regiões como o Oeste e o Meio-Oeste despontam como territórios-chave para a consolidação de polos de biogás, desde que acompanhados por instrumentos de financiamento, garantias, incentivos à infraestrutura e estímulos ao consumo do biometano pela indústria e pelo setor de transportes.

Ao conectar sustentabilidade, eficiência produtiva e inovação, o biogás se apresenta como uma solução que dialoga com o passado — o campo como base da economia — e aponta para o futuro, no qual energia limpa e competitividade caminham juntas. Para a agroindústria, o recado é direto: descarbonizar a cadeia não é apenas uma exigência ambiental, mas uma decisão estratégica para permanecer relevante em mercados cada vez mais atentos à origem e ao impacto dos produtos.

Canal-Jornal da Bioenergia

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