Veículos movidos a diesel comum lançam mais de 10,5 mil toneladas de enxofre na atmosfera em um ano

Durante o ano passado o Brasil consumiu mais de 60 bilhões de litros de óleo diesel. Deste total, cerca de 43% — 25 bilhões de litros — foram do S500, classificado assim por conter 500 partes por milhão de enxofre, produto químico mortal lançado na atmosfera das cidades brasileiras pelos escapamentos de ônibus, caminhões, máquinas agrícolas, motores estacionários e até usinas termoelétricas usadas para gerar energia e que este tipo de diesel.

Identificado nos postos de abastecimento como Diesel Comum, este combustível refinado do petróleo é um dos principais causadores de doenças respiratórias e cardiovasculares provocadas pelo enxofre e pela quantidade de material particulado que lança na atmosfera.

O volume do produto químico jogado em forma de poeira na atmosfera poderia encher 350 carretas de 30 toneladas cada uma, segundo projeções feitas com base em estatísticas oficiais. Se fossem colocadas em fila, as carretas formariam um comboio de 7 km de extensão.

“O diesel comum é um combustível-veneno e deveria ser banido do Brasil pelo elevado risco que representa para a saúde pública”, disse o presidente da Ubrabio, Juan Diego Ferrés. A entidade lançou uma campanha para banir imediatamente a utilização deste combustível fóssil.

A Ubrabio, entidade que representa mais de 40% da produção de biodiesel, propõe duas alternativas para substituir o S500. A primeira é trocar este diesel comum pelo S10, que lança 50 vezes menos enxofre na atmosfera. A segunda é aumentar o uso do biodiesel.

Atualmente, a legislação prevê que o biodiesel, combustível que utiliza na sua produção óleos vegetais, principalmente de soja, e outras matérias primas como gorduras animais e óleos residuais, seja misturado ao diesel fóssil na proporção de 10% para amenizar a poluição veicular porque reduz em até 82% as emissões de CO2.

A Ubrabio defende que as autoridades reguladoras avaliem as consequências do uso do diesel comum com o mesmo rigor que são analisadas a composição química e os efeitos colaterais de produtos igualmente perigosos e considerados inadequados ao uso doméstico e até industrial pelos riscos que causa à saúde.

Em contato com a chuva, o enxofre suspenso no ar tem uma reação química e se transforma em ácido sulfúrico, um dos elementos químicos responsáveis pela chuva ácida. Ao cair sobre as pessoas e entrar em contato com o suor ou a umidade da pele, a poeira de enxofre vira o venenoso ácido sulfúrico.

Segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 50 mil pessoas morrem por ano no Brasil em razão da poluição veicular, e o diesel comum é o principal responsável por esta tragédia. (Ubrabio)

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